quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Esvaziado, G11 luta para não ser extinto

Partidos aliados ao prefeito cobram que os parlamentares voltem a compor a base aliada; prefeito aproveita o recesso parlamentar para convencer vereadores a esvaziar o grupo

Anderson Botan
Campinas

Os comandantes do G11, ou atual G9, grupo de parlamentares dissidentes da base governista do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), formado no ano passado na Câmara de Campinas vai ter que lutar muito para conseguir manter os nove vereadores que ainda permaneceram no grupo até antes do recesso no Legislativo. Com a pressão dos partidos aliados ao prefeito sob os parlamentares e até mesmo o assédio do próprio Hélio para que alguns deles voltem para a base aliada provocou um esvaziamento e fez com que o grupo não tenha qualquer força política dentro da Casa, já que está em desvantagem em relação ao grupo governista, mesmo aliados a oposição.

Já no final do ano passado, dois vereadores cederam à pressão do prefeito e voltaram a votar com os governistas: Miguel Arcanjo (PSC) e Jairson Canário (PT). Com medo das exonerações que poderiam ocorrer de seus apadrinhados políticos e até mesmo de representantes dos partidos na prefeitura, os dois resolveram voltar atrás e passar a apoiar o prefeito novamente. Tanto que o desfalque ajudou que fossem aprovados projetos de interesse do Executivo no final de 2009, como o de descontos no IPTU, os projetos para revitalização da região da antiga rodoviária e a demolição do prédio, entre outros.

No início deste ano, o diretório municipal do PPS enviou uma advertência aos três vereadores do partido, Petterson Prado, Cidão Santos e Luiz Cirilo, deixando claro que o partido faz parte da base governista e que os vereadores deveriam dar apoio ao prefeito e votar de acordo com a orientação da base os projetos analisados na Casa. Ainda em 2009, Cidão e Cirilo já indicavam que estariam novamente mais próximos do prefeito e Petterson Prado declarou que não vai abrir mão de sua postura de oposição ao prefeito, mas agora com a advertência ainda não se sabe se vai ser tolerada esta postura.

Com o fim do recesso parlamentar, no dia 1º de fevereiro, vai ser possível analisar se o grupo realmente ainda existe ou se tudo voltou a ser como antes, deixando o prefeito em situação confortável e favorável.

Tido como um dos líderes do G11, o vereador José Carlos Silva disse neste período do recesso parlamentar não conversou com nenhum representante do grupo e muito menos com os governistas e que vai esperar a volta dos trabalhos para saber se o grupo ainda existe, se continua ativo, para saber como vai ficar sua situação na Casa.

Aliados do prefeito tentam, durante o recesso, conversar com alguns integrantes do G11 e pedir que considerassem seu posicionamento, já que este ano serão votados projetos importantes para o Executivo. “Vão ser votados este ano projetos de interesse público importantes, como o das macrozonas, que os vereadores têm grande importância nos debates públicos, trazendo a população, o que exige um trabalho harmônico na casa. O prefeito não tolera essa falta de definição por parte dos independentes, alguns que não se decidiram se são ou não oposição e isso dificulta os trabalhos na Casa”, argumenta Luiz Yabiku, fiel aliado do governo.

Para o vereador, o prefeito precisa de uma base sólida e por isso recorreu aos partidos e aos vereadores cobrando fidelidade ao que foi definido nas alianças. “O prefeito deve estar tentando uma reaproximação porque a Câmara, sem base sólida, é prejudicial para a aprovação de projetos importantes, que são de interesse da população, projetos que trazem recursos para a cidade e os vereadores tem que ter consciência do seu papel”, considera.

Para o líder do governo na Câmara, Francisco Sellin (PDT), ainda não é possível ter uma ideia do que vai ocorrer na primeira sessão, como vai ser o comportamento do grupo, mas no final do ano a base governista teve êxito em diversas votações importantes para o Executivo, que acabaram sendo referendados com votos dos integrantes do G11. “O próprio grupo sabe que perdeu a força que tinha no começo e não descarto a possibilidade de mais vereadores saírem e voltarem para a base governista”, afirma Sellin.

Outro lado


O porta voz do G11, Rafa Zimbaldi (PP) nega que tenha ocorrido um esvaziamento do grupo, devido a pressão dos partidos, do prefeito e pelo fato de dois parlamentares já terem abandonado a equipe e regressado para a base governista. Zimbaldi disse que o grupo não se reuniu durante o recesso, mas que continua unido e os que ficaram ainda tem o mesmo foco, que é estar independente na hora de decidir o voto nos projetos, sem a pressão do Executivo.

Quanto às advertências dos partidos, o vereador disse que cada integrante do atual G9 deve tratar individualmente com os seus representantes locais e deixar claro que a postura assumida ao ingressar o G11 é de buscar independência na hora do voto. “A postura dos vereadores que deixaram de votar com a base governista, mesmo o partido sendo aliado, não fere em nada o vínculo dos vereadores com o partido, não há como dizer que estão ferindo o estatuto e punir os parlamentares só porque não votam com o governo. Os partidos ajudam a governar, mas isso não significa que os vereadores devem passar por cima da constituição, da lei orgânica, para ficar do lado do prefeito. O trabalho vai continuar e o grupo não tem que ser G9 e sim G33, pois todos devem trabalhar pela independência entre os três poderes, como determina a constituição”, considera Zimbaldi.

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