quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

G9 joga a toalha e Hélio volta a impor votação de projetos na Câmara

Grupo foi esvaziado e não tem mais chances de pressionar o governo nas votações; Hélio vai conseguir aprovar com uma margem segura de votos os projetos mais polêmicos, como a constituição da Macrozona 5


Anderson Botan
Campinas

O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) vai ter uma situação tranquila nas votações de projetos mais polêmicos de interesse do Executivo na Câmara, com a saída de cena do G9, grupo de vereadores independentes que deixaram de votar com o prefeito. De acordo com vereadores governistas, o grupo foi esvaziado e não tem mais chances de pressionar o governo nas votações, pois não tem maioria, o que levou ao fim do grupo. O indício de que o G9 realmente acabou é que o seu principal articulador, José Carlos Silva (PDT), disse que o grupo, ainda como G11, acabou no ano passado, antes mesmo do recesso parlamentar. Com isso, o prefeito deve conseguir aprovar com uma margem segura de votos os projetos mais polêmicos que vão entrar na pauta do Legislativo neste ano.

Já no final de 2009, quando o prefeito tinha importantes projetos a serem votados, como o desconto no IPTU, os projetos de mudança de zoneamento e urbanização da área do entorno da antiga rodoviária, entre outros, Hélio conseguiu pressionar alguns vereadores, exonerando funcionários indicados por eles e pressionando os diretórios dos partidos aliados de forma a cobrar que os vereadores rebeldes voltassem atrás e deixassem o G11. Dois vereadores acataram a ‘ordem’ do prefeito e voltaram a votar de acordo com a orientação do líder do governo na Casa, Francisco Sellin (PDT), o petista Jairson Canário e Miguel Arcanjo, do PSC. Com apenas 9 vereadores, o grupo independente não teve força para conter o rolo compressor do governo e viu, junto com o grupo de oposição, o governo sair vitorioso nas votações.

O fim do grupo foi sentido pelos governistas mesmo com a pauta morna da primeira sessão de 2010, ocorrida na segunda-feira. Com 3 vetos a projetos de vereadores do finado G9, nenhum deles foi derrubado, sendo que em um deles, o veto foi mantido com 27 dos 33 votos, o que mostra que não houve qualquer empenho do G9 para reverter a decisão contrária do Executivo. Para o vereador da base governista, Luis Yabiku (PDT), a sessão foi uma pequena demonstração de que o grupo não tem mais força, mas ainda acredita ser necessário analisar se o grupo realmente acabou quando forem votados projetos polêmicos. “Eu esperava uma resistência do grupo diante dos vetos, mas como isso não aconteceu, nós podemos concluir que a base aliada está forte novamente e o grupo independente perdeu a força. Mas a prova definitiva do comportamento deles diante das votações ainda deve ser analisada nas próximas pautas, diante de projetos mais polêmicos”, disse o vereador.

Para outro vereador governista, o grupo independente realmente não existe mais e a partir de agora, o que deve acontecer é um regresso dos que já eram da base governista para o grupo e os outros que estavam no G9 e eram da oposição, continuarem votando com o governo. “O grupo realmente nem existe mais, nem G11, G9, o que seja, os que eram oposição e eram contados como do grupo devem voltar a votar contra o governo no bloco de oposição e os que eram da base ainda não voltaram 100%, mas devem aos poucos voltar a votar com o prefeito”, considera o governista.

Macrozonas

E o teste definitivo deve vir logo depois do Carnaval. De acordo com o líder do governo na Câmara, Francisco Sellin (PDT), o primeiro projeto polêmico, da constituição da Macrozona 5, deve entrar na pauta de votação na semana depois do feriado, para ser votado em primeira discussão. De acordo com Sellin, já nas audiências realizadas nas regiões do Campo Grande e Ouro Verde, com moradores e empresários locais, ficou evidente que o projeto deverá causar debates acalorados na Casa. “O projeto contempla mudanças profundas, de forma que estas regiões estejam preparadas para receber os investimentos que vão chegar com a ampliação do Aeroporto de Viracopos, com a implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV) e Veículo Leve sob Pneus (VLP). Com isso, avenidas que hoje tem apenas zoneamento residencial, como a Ruy Rodrigues, passam a ter zoneamento comercial, o que também deve ocorrer em outras ruas e avenidas destas regiões, de forma a regularizar os comércios já existentes”, disse o vereador. A medida também auxilia que novos empreendimentos e grandes centros comerciais possam se instalar nessas duas regiões da cidade.

A prefeitura deve encaminhar até o final deste ano todos os projetos que estabelecem as macrozonas no município para serem votados e aprovados, de acordo com um compromisso firmado com a Câmara. Além disso, as discussões também devem se acirrar com outros projetos que devem ser votados e que já estão no Legislativo, como é o caso do projeto que pretende alterar a regulamentação atual dos loteamentos fechados e cinturões de segurança no município, a instalação de antenas de telefonia celular e outros que devem ser mandados, como a alteração na cobrança de alvarás e preços públicos.

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