segunda-feira, 29 de março de 2010

Campinas precisa de R$ 1,3 bi para ser sub-sede da Copa

Investimentos devem ser feitos em obras, treinamentos de pessoal e outros itens considerados essenciais, segundo levantamento da administração e da iniciativa privada

Anderson Botan
Campinas

Para que Campinas seja escolhida como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil, é preciso que a cidade invista mais de R$ 1,3 bilhão em obras, infraestrutura, treinamentos de pessoal e outros itens considerados essenciais, segundo levantamento das Secretarias de Esportes e Lazer, Comércio, Indústria, Turismo e Serviços e do Campinas e Região Convention & Visitors Bureal. No sábado, na abertura da Conferência Municipal do Esporte, o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) entregou ao ministro do Esporte, Orlando Silva, um documento apresentando as vantagens de Campinas para ser uma sub-sede da Copa do Mundo em 2014.

De acordo com o secretário de Esportes e Lazer, Gustavo Petta, a cidade possui diversas vantagens e possibilidade de, caso seja escolhida, ampliar ainda mais este potencial, por meio de obras e ampliação da infraestrutura. O documento apresentado ao ministro, com 53 páginas, foi dividido em 10 capítulos que mostram os principais atributos e características do estado e do município para sediar eventos relacionados à Copa, a tradição esportiva de Campinas, principalmente no futebol, experiência em sediar eventos internacionais, atrações turísticas e culturais, hotelaria, hospitais e universidades.

O secretário considera que a cidade tem grandes chances por primeiramente estar próxima de São Paulo, uma das sedes oficiais e contar com a ampliação do Aeroporto de Viracopos, o segundo maior em capacidade de atendimento, cujos investimentos até 2014 devem chegar a R$ 900 milhões, com a construção da segunda pista de pousos e decolagens, novo terminal de passageiros e pátio de manobra das aeronaves. Além disso, o secretário cita as obras do Veículo Leve sob Pneus (VLP), orçadas em R$ 460 milhões, que devem agilizar o transporte de passageiros em corredores de grande demanda no município.

Outras vantagens elencadas por Petta no documento são: facilidade de deslocamento de Campinas para as demais sedes da Copa, por estar em um entroncamento rodoviário cortado pelas dez rodovias mais importantes do estado, possuir um setor hoteleiro forte, amplo e de padrão internacional, com 3.765 apartamentos e 8.031 leitos e a rede de hospitais ser especializada também na medicina esportiva e tendo disponíveis mais de 3 mil leitos. Outro ponto ressaltado é o fato de a cidade ter uma grande tradição no esporte, com a Ponte Preta, time mais antigo em atividade ininterrupta no país, e o Guarani, único clube do interior campeão brasileiro.

A cidade também se comprometeu no documento a construir um Centro de Treinamento no padrão da Federação Internacional de Futebol (Fifa), com dois campos oficiais, caso seja a escolhida para abrigar uma das seleções. Os demais itens exigidos pela entidade, como alojamentos, piscinas, pistas de atletismo, salas de fisioterapia e recuperação, entre outros, já estarão em outro empreendimento em fase final de construção, o Centro Olímpico de Alto Rendimento, orçado em R$ 30 milhões, que deve ser totalmente entregue até o final deste ano. Os campos de futebol seriam construídos em uma área ao lado no Centro Olímpico, na antiga Fazenda Bradesco. “Campinas é uma cidade com vários diferenciais. Pela estrutura que oferece e também pela tradição esportiva que será potencializada com o Centro Olímpico de Alto Rendimento, ela é forte candidata a ser sub-sede da Copa”, considera Petta.

Investimentos

A entrega do documento é o primeiro passo da administração para ser condecorada como uma das sub-sedes da Copa. De acordo com o secretário, vai ser formado um comitê com representantes de diversas secretarias e o setor empresarial, para organizar e discutir essa pré-campanha de Campinas. De acordo com o presidente do Campinas e Região Convention & Visitors Bureal, Luiz Antonio Guimarães Ferreira, é importante pensar também em investimentos não só focando a possibilidade de a cidade ser uma sub-sede, mas também de atrair o turismo para a região, hospedando as pessoas que virão assistir os jogos e criando pacotes de turismo pelas cidades, conhecendo locais históricos, apresentações de teatro, música, entre outros eventos.

“É importante fortalecer e estimular o crescimento do turismo de negócios na região. Deve-se pensar nas possibilidades que vão além de Campinas ser a sub-sede, pensando em investimentos no setor hoteleiro, capacitação de pessoal, marketing, entre outros, de forma a preparar a região para receber os turistas e seleções que aqui podem se hospedar”, disse Guimarães.

Ferreira afirmou que há planejamentos de se investir no aumento da rede hoteleira em mais 1000 apartamentos, o que, segundo levantamento da reportagem, necessitaria de recursos de mais de R$ 33 milhões. De acordo com Guimarães, ainda não foi definido se este projeto vai contemplar uma única rede, com mais de 500 apartamentos, ou várias redes com 200 a 300 apartamentos. O aumento da rede hoteleira, a capacitação das pessoas com curso de línguas, profissionalizantes, entre outros, devem ser realizados nos próximos 3 anos. Além disso, desde já, a entidade vem realizando um intenso trabalho de apresentação de Campinas em feiras de negócios. Segundo Guimarães, neste ano já estão agendadas 10 feiras e 3 delas serão realizadas no exterior.

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