Divergências ocorrem há alguns anos e se concentram entre o prefeito e o presidente estadual do partido, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força
Anderson Botan
Campinas
A crise interna do PDT fez com que o partido deixasse o prefeito Hélio de Oliveira Santos, presidente local do partido e com livre trânsito nos governos federal e estadual, de fora das decisões importantes para as eleições deste ano, como a escolha do partido para a composição da chapa para o governo do estado e até mesmo de participar de decisões sobre as convenções do partido, a serem realizadas no dia 12 de junho.
As divergências ocorrem já há alguns anos e se concentram entre o presidente estadual do partido, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força e Hélio. Paulinho acusa Hélio de não militar em prol do partido e tomar decisões unilaterais. Como retaliação, Paulinho acabou de escolher o prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira, também desafeto de Hélio, para ser o vice-governador de Aloizio Mercadante (PT), caso o senador seja mesmo candidato ao governo de São Paulo.
Ultimato
O ultimato de Paulinho para Hélio foi dado no ano passado, quando o partido lançou o prefeito como pré-candidato ao governo do estado. A tentativa era fazer com que Hélio participasse mais da militância e das decisões do partido, contando com o apoio do presidente nacional do PDT, o ministro do Trabalho Carlos Lupi e até uma caravana de aliados, incluindo vereadores pedetistas, foi até São Paulo para o evento, mas o prefeito, estrela principal, não compareceu, atitude que deixou as lideranças do PDT irritadas. Hélio alegou compromissos, mas nos bastidores, o prefeito não teria comparecido porque considerou o lançamento da candidatura prematuro e uma tentativa de queimar seu nome com aliados de peso, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra (PSDB).
O presidente da Câmara de Campinas, Aurélio Cláudio (PDT), que auxilia na organização das convenções do partido a serem realizadas no dia 12 de junho, diz que é importante para o PDT que tenha esta indicação para compor a chapa majoritária com o PT para o governo de São Paulo, mas Aurélio afirma que a definição de quem vai ser o candidato só vai ser referendada nas convenções nacional e estadual.
“A executiva do estado deixou claro o apoio pelo nome de Reinaldo Nogueira, mas isso só será definido em junho. Até lá o partido vai procurar Hélio para saber se ele pretende ser candidato. Com certeza o prefeito é hoje o melhor nome para representar o PDT e é referendado pelo presidente Lula. Se Hélio manifestar o interesse, o partido vai trabalhar na convenção em prol dele, mas não se pode também descartar o prefeito de Indaiatuba, que também tem força dentro do partido”, diz.
Aurélio analisa que o anúncio de Paulinho foi precipitado e discorda do ponto de vista do presidente estadual de que Hélio não tenha militância dentro do partido. “Hélio tem uma vivencia grande dentro do PDT. É respeitado em todos os diretórios do interior paulista e tem um histórico importante com Leonel Brizola”, considera.
Força política
Desde a morte há um ano do deputado federal João Hermann Neto, principal aliado de Hélio no partido e que tinha planos de fazer frente ao domínio de Paulinho no comando estadual, o prefeito vem perdendo cada vez mais força dentro da legenda, o que fez surgirem boatos de que Hélio poderia sair do partido, indo para o PMDB, de Orestes Quércia. Hermann era um dos principais articuladores da candidatura de Hélio para o governo e o seu grande trânsito com o presidente nacional do partido, o ministro Lupi, faziam com que o prefeito tivesse força diante de Paulinho. Com sua morte, o prefeito ficou enfraquecido dentro da legenda e foi perdendo espaço para Reinaldo Nogueira, fiel aliado de Paulinho, mas que não tem a representatividade nacional de Hélio. A influência política de Hélio pode pesar na decisão final do PT pelo candidato a vice-governador.
Um vereador governista muito ligado ao prefeito garante que Hélio não vai comentar a escolha do PDT e nem manifestar se gostaria de ocupar a vaga de vice-governador, desejo que também foi manifestado pelo próprio Mercadante, ao anunciar a sua pré-candidatura e as possibilidades de composição da chapa. A candidatura do petista está próxima de se concretizar, caso Ciro Gomes (PSB) desista de vez de ser candidato por São Paulo e dispute a presidência, deixando o caminho livre para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PSB). Há ainda a possibilidade de o PSB compor a chapa com o PT como vice-governador, mas as lideranças socialistas veem esta possibilidade como remota, já que a filiação de Skaf teve como moeda de troca a candidatura ao governo.
Para o vereador aliado, se Hélio quiser ser candidato ele tem todas as chances de passar por cima da determinação de Paulinho, que já afirmou que a decisão final de escolher o candidato seria dele, para tentar roubar a vaga já escolhida para o prefeito de Indaiatuba. “Por ter um relacionamento de longa data com o Mercadante e, principalmente, com o presidente Lula, Hélio tem uma grande chance de, se quiser ser candidato, ficar com a vaga de vice. Basta Lula bater o pé e escolher Hélio e o Paulinho vai ter que acatar a decisão. O interessante é saber se Hélio vai querer deixar o comando de Campinas para ocupar um cargo de vice, já que ele tem representatividade e dificilmente se contentaria em ficar num cargo sem muito poder de comando”, considera o aliado do prefeito.
Unilateral
O líder do governo na Câmara, Francisco Sellin (PDT), que tem um bom trânsito com Hélio de Oliveira Santos e no partido, diz que a discussão pela escolha de Nogueira para ser vice-governador não passou por Campinas e muito menos pela executiva nacional e que, embora o estado tenha uma decisão, quem dá a palavra final é a presidência nacional do PDT. “Acho prematuro que seja feita uma escolha unilateral e dar qualquer opinião sobre este assunto. É importante ressaltar que não existe em São Paulo nenhuma liderança maior que o prefeito Hélio de Oliveira Santos e a campanha para governador e presidente vai necessariamente ser discutida aqui. Hélio tem uma aprovação de quase 80% do eleitorado, o que é muito importante para qualquer candidato. Discordo da atitude de Paulinho, é uma exploração eleitoral, atitudes precipitadas não são boas para o partido”, considera o vereador, que acredita que Hélio não deixaria o governo para ser candidato a vice na chapa do PT. Até o fechamento desta edição, o deputado federal Paulo Pereira da Silva não retornou as ligações da reportagem para comentar o assunto.
sexta-feira, 19 de março de 2010
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Se Hélio for candidato em dobradinha com Oliva, o grande vencedor será o PT,pois fica por três anos a dirigir a prefeitura de Campinas. Há muita revoada de falcões petistas na região, Antonio Mentor de Americana é o novo lider da bancada petista no Nove de Julho, Ana Perugini de Hortolândia deverá ser reeleita com uma boa votação. A deputada está com muito tr^nsito em pequenas e médias cidades do interior paulista. Tem um importante trabalho com relação aos 49 municípios prestes a serem condenados a ter unidade prisional, com muitos ônus e nada de bônus.
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