sexta-feira, 9 de abril de 2010

TAV vai exigir de Campinas R$ 2 bi em investimentos

Valor incluem as obras que envolvem diretamente o trem-bala, as interferências viárias, além de desapropriações e construção de novos empreeendimentos


Anderson Botan
Campinas

A cidade de Campinas vai ter que investir pelo menos R$ 2 bilhões em obras de infraestrutura para instalação do Trem de Alta Velocidade (TAV). Estão inclusos neste valor as obras que envolvem o trem e também o que deve ser gasto pela cidade em alargamentos de vias, construção de estacionamentos, desapropriações, construção de novos hotéis, entre outros. Na quarta-feira, em evento para discutir o projeto do TAV promovido pela Associação Regional da Habitação (Habicamp), o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) manifestou que a cidade precisa se planejar para o futuro antes mesmo de as obras terem início e o desenvolvimento deve ser pensado para toda a região.

De acordo com o presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas, Paulo Sérgio Saran, é necessário que a administração comece a planejar e estudar desde já o que vai precisar ser feito na região central e da rodoviária, onde está planejada uma das estações obrigatórias de Campinas. “A ideia é construir a estação onde haja infraestrutura, como a própria Agência Nacional de Transportes Terrestes (ANTT) considera, para que não tenha a necessidade de haver grandes investimentos a serem realizados. Contudo, dependendo do que for identificado como necessário para ser feito no local, precisa-se de um estudo prévio e detalhado, para o planejamento como um todo”, analisa.

No caso da região escolhida para a estação central, segundo Saran, existe uma necessidade urgente de investimentos em obras viárias, já que a região também conta com a rodoviária, que atrai um grande movimento diário de pessoas. “A própria rodoviária não está tão adequada para a demanda, já que foi construída para o que precisava suprir atualmente e, por isso, é necessário pensar no futuro, pois o terminal também vai ter a demanda aumentada com a construção do TAV”, disse Saran. Para ele, vão ser necessárias diversas intervenções na região, como alargamento de vias, desapropriação de residências para construção de novas ruas e avenidas, construção de estacionamentos, prédios comerciais, entre outros. A reportagem calculou que estes investimentos custariam para a prefeitura cerca de R$ 900 milhões, com base em outras obras já realizadas pela administração atual.

O presidente do Campinas e Região Convention & Visitors Bureal, Luiz Antonio Guimarães Ferreira, anunciou ao CAPITAL que o setor de turismo de negócios pretende investir na construção de mais mil apartamentos na rede hoteleira da cidade, o que deve custar cerca de R$ 33 milhões e uma parte destes novos hotéis estar próxima das estações do TAV, já que o objetivo é atrair hóspedes que vão assistir aos jogos da Copa do Mundo em 2014 e as modalidades das Olimpíadas em 2016 , mas também podem ser usados para as pessoas vão se hospedar na cidade quando o trem estiver pronto. “É importante fortalecer e estimular o crescimento do turismo de negócios na região, pensando em investimentos no setor hoteleiro, capacitação de pessoal, marketing, entre outros, de forma a preparar a região para receber os turistas e empresários”, disse Guimarães. O aumento da rede hoteleira, a capacitação das pessoas com curso de línguas, profissionalizantes, entre outros, devem ser realizados nos próximos 3 anos.

Críticas

Para o diretor técnico do Conselho de Infraestrutura e Logística do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Josmar Cappa, é necessário que sejam discutidos os investimentos que vão ser gerados pelo TAV não só em Campinas, mas em todas as cidades da região. Para ele, o impacto não vai se concentrar apenas nas cidades onde vão ser instaladas as estações do trem bala, mas também em todas as demais que compõem a Grande Campinas. “A forma de tratamento e execução do assunto está errada. Os investimentos não são só para a cidade e sim para toda a região, todas as cidades vão estar envolvidas, pois haverá um fluxo de investimentos, de migração de pessoas e é preciso que se discuta tudo isso desde já. O governo federal deveria criar um novo Plano Nacional de Desenvolvimento, onde todas as cidades que estão próximas as regiões atendidas pelo TAV sejam aglutinadas na discussão do desenvolvimento regional, que vai ocorrer com a instalação de fábricas para manutenção do trem, fornecimento de equipamentos, treinamento de pessoas, novos empregos que vão ser gerados, entre outros pontos”, afirma.

Evento

No evento para a discussão do TAV na última quarta-feira, algumas empresas apresentaram produtos e soluções tecnológicas que poderão ser usadas para a construção do TAV. A expectativa é que pelo menos 60% dos produtos para utilização nas obras do trem tenham fabricação nacional. O prefeito Hélio de Oliveira Santos disse que a cidade vai gerar um grande fluxo migratório entre as cidades que integram o projeto, que se estende por uma grande megalópole de Campinas até o Rio de Janeiro. Para Hélio, a migração é preocupante enquanto não forem discutidos os impactos que isso pode gerar para o município e, caso não haja uma distribuição dos investimentos, há a possibilidade de se ter um abismo em desenvolvimento entre Campinas e as demais cidades da região. O representante da ANTT, Hélio Mauro França, disse que a publicação do edital do TAV depende do parecer final a ser emitido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que deve sair ainda este mês. Com isto, a licitação deve ocorrer em junho e o resultado final publicado em setembro.

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